História
O prazer vem de longe
No romance Noites antigas, de Norman Mailer, um faraó ressuscita depois de séculos. O primeiro desejo que tem é de tomar um copo de cerveja. Pura ficção? Nada disso. As primeiras referências à bebida apareceram há mais de 3 mil anos, em documentos encontrados na região mesopotâmica (atual Iraque).
Entre os egÃpcios, bebia-se cerveja por qualquer motivo. Arqueólogos ingleses descobriram no sul do Cairo, capital do Egito, vestÃgios de uma edificação do século XVI a.C. que poderia ter sido uma cervejaria. Conforme a mitologia egÃpcia, foi a deusa Ã?sis quem ensinou a arte de produzir a bebida, conhecida por eles como zythum.
Na Grécia e em Roma, a bebida ganhou o nome de cervisia, em homenagem a Ceres, deusa das colheitas. Mas foram os monges beneditinos alemães, no século IX, que cultuaram o hábito de produzir cerveja em larga escala. E o motivo era religioso: como na Quaresma, nos monastérios medievais, só se podia comer uma vez ao dia, os religiosos tomavam cerveja, o “pão lÃquidoâ€?, para tapear a fome.
Boicotada pelos portugueses, que viam na bebida um forte concorrente para o real vinho da metrópole, a cerveja só começou a aparecer no Brasil no inÃcio do século XIX, no reinado de dom João VI, por iniciativa dos ingleses, que a importavam. A primeira cerveja lançada no Brasil foi a Bohemia, em 1853. Já no final do século, surgiam nossas duas primeiras cervejarias: em 1888, foi fundada a Brahma e, em 1891, a Antarctica.



